SILENSOUND


Meu nome é Anderson Almeida Ribeiro, coaraciense, discente do BI em Artes da UFSB, músico autodidata, poeta em parcos momentos e meu campo musical de interesse nos últimos meses tem sido a música minimalista de Steve Reich, John Cage e outros.

As perguntas que nortearam o projeto foram as seguintes:

 - Como capturar o universo numa teia de aranha?
 - Quais os sons que estão escondidos no nosso dia a dia?

Esse projeto final pensado para o componente Ateliê em artes e comunidades, começou a tomar forma quando vi o trabalho de Tomas Saraceno ("Como capturar o universo numa teia de aranha?) utilizando aranhas. Estas aranhas constroem belas teias e o processo todo é registrado sonoramente utilizando microfones sensíveis para captar os sons, que me lembram música minimalista ou eletro - acústica (particularmente esse estilo me fascina muito).

http://tomassaraceno.com/




O segundo trabalho que me levou a pensar muito sobre a direção que queria seguir, foi a animação Danny Boy de Marek Skrobecki. A discussão sobre a aceitação em determinadas sociedades e o que fazemos para o mesmo, por fim acabou me inquietando bastante.

Danny Boy - Marek Skrobecki


Entrando em contato com estes dois trabalhos, tive a ideia de convidar alguns colegas para que de olhos vendados se movam pela sala (segundo indicações de voz que darei) e esta movimentação será microfonada com o objetivo de demonstrar a sonoridade escondida neste ato.
A forma de microfonação ainda está sendo analisada e estou procurando artigos ou materiais que sejam relacionados a este tema. Como eu darei visibilidade a estes sons escondidos o nome do projeto passou a ser Silensound (junção de Silence e Sound).
Um músico que me inspira a realizar este tipo de registro é John Cage e mais precisamente o trabalho intitulado: 4'33". Neste trabalho o músico chega próximo ao piano, aperta o cronômetro e não emite nenhum tipo de som, sendo os sons inaudíveis os mais importantes na peça: respiração do músico, tosse da platéia, abaixar e levantar da tampa do piano.

4'33" - John Cage

Outra obra de John Cage que me chama atenção é Water Walk, onde ele utiliza utensílios da vida cotidiana (liquidificador, panela de pressão, patinho de borracha, etc.) mesclado com instrumentos musicais convencionais para gerar sonoridades distintas e inusitadas.


Estou em processo de maturação para o primeiro experimento, sendo que o sucesso da microfonação (quantos microfones utilizarei e qual a posição mais propícia para captação) ainda é um ponto preocupante que deve ser testado.

O primeiro experimento será realizado utilizando o microfone do meu celular, pois, quero experimentar o que de interessante pode surgir ou não.


RELATO DO PRIMEIRO EXPERIMENTO

O primeiro experimento foi muito interessante e corroborou o que pensava: é possível captar os passos dos participantes da performance. Planejei colocar uma música para estimular o movimento das pessoas, mas na gravação a mesma ficou em evidência (se eu a utilizar será em volume mais baixo). Falando da gravação que foi realizada com gravador cedido pelo professor Martin, a mesma teve sucesso na captação (no entanto necessito fazer alguns ajustes).
Recriamos a comunidade dos sem cabeça, sendo que Allan era a pessoa "fora do padrão" e o restante da sala caminhava de olhos fechados (todos guiados pela música). Durante os 4 minutos da canção "Where are we now?" de David Bowie, a cena de desajustamento social foi reproduzida, as pessoas interagiam entre si e no fim da performance Allan simulou estar sem cabeça e integrou - se a comunidade em questão.
Não tenho certeza absoluta de permanecer com esta proposta para o projeto final, pois, a sugestão colocada por Allan é muito convidativa (poema sonoro). Estou pensando nas possibilidades para chegar ao segundo experimento com um pouco de luz no fim do túnel ou mudar drasticamente de direção.

ANÁLISE SOBRE O PRIMEIRO EXPERIMENTO

Como o experimento deu certo, ele me fez enxergar a uniformidade do som que capturei, não causando o tipo de impacto que eu pretendia. No momento que ouvi a gravação passei para a condição de ouvinte e não proponente do projeto e não senti que a sonoridade seria interessante do ponto de vista estético.
Andando na rua depois do almoço, na minha rotina diária costumeira escutei o som de um balanço vindo do praça muito interessante. Duas meninas estavam brincando e emitindo uma sonoridade super interessante, que obviamente nenhum dos transeuntes ou os pais das crianças percebiam. Esse foi o mote para capturar os sons de um dia inteiro meu.

RELATO DO SEGUNDO EXPERIMENTO

Durante toda minha rotina diária do dia 30 de agosto de 2017, por seguidas vezes deixei o gravador do meu celular captando todo tipo de som gerado (conversas no ônibus público, banheiro, sala onde trabalho, contato com colegas de trabalho, caminhada na rua) perfazendo um máximo de 2 minutos para cada gravação. Depois de catalogado cerca de 10 gravações, no dia 13 de setembro de 2017, com ajuda do programa de gravação Mixcraft fiz uma mixagem preliminar destes sons gerando uma música que não percebia produzir. Ainda estou realmente na dúvida se a gravação terá o efeito pretendido de despertar os ouvintes para as peculiaridades sonoras que o nosso dia - a - dia reserva.
Por enquanto não imagino nenhum tipo de performance relacionada à esta gravação, logo, estou pensando em algum tipo de vídeo ou imagens que possam potencializar a obra.

OBRA FINAL

A obra final consistiu na compilação dos videos na forma original a qual foram registrados, sendo que ao final estes registros foram compilados no modo reverso. Esse efeito reverso mimetiza o efeito do sonho (no sonho salvamos tudo que aconteceu conosco no nosso HD cerebral).

Silensound


JUSTIFICATIVA

Somos rodeados de música e este projeto serve para comprovar que o som está implícito no cotidiano , logo, produzimos sonoridades sendo ou não músicos (no sentido literal da palavra).

CONCLUSÃO

Todos os seres humanos contribuem para essa música diária, sendo que, a vida em comunidade reforça as questões de padrões rítmicos que seguimos intuitivamente ou por inconsciente coletivo também. Temos muita sonoridade embutida em nossas atitudes e corpos, basta apenas estar atentos para apreciar o quão interessante somos como "sinfonias vivas".

AGRADECIMENTOS

Deixo meu agradecimento ao professor Martin, pela maravilhosa condução de nossos projetos e todo suporte para nos tornarmos artistas cada vez melhores. Agradeço a todos os colegas pela força e interação fantástica que construímos durante todo o quadrimestre.
Um agradecimento especial para minha colega - amiga e atriz fenomenal Camila Santana pelo apoio e acompanhamento das minhas incertezas durante o projeto.
Até mais!


Comentários

  1. Meu querido Andersonn!!! Sem querer influenciar, veja esse poema sonoro ( https://vimeo.com/127683645) e ao mesmo tempo leia a descrição abaixo dele. Talvez possa despertar algo....

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  2. Como todas as obras que crias são belas assim foi teu projeto. Você nos deu o tempo que precisávamos como os "sem cabeça" para tocarmos e sermos tocados, pela canção e pelo outro. Tenho acompanhado tuas inquietações acerca do projeto e sinto-me honrada em ser parte. Gratidão!

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    1. Obrigado! Eu que sou grato pela força inestimável.....estou ainda meio em dúvida se uma performance seria efetiva ou apenas o som é o bastante!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Teu projeto final, ficou mais que especial...Magnífico! Uma composição que poderá ser usada em trabalhos diversos, especialmente em Trilha sonora de filmes. Parabéns e obrigada por brindar a todos nós! Um abraço!

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